As duas regiões foram abaladas recentemente por uma tragédia ecológica que deixou milhares de vítimas. Leia e entenda melhor!
Recentemente, centenas de pessoas morreram após enchentes repentinas atingirem áreas turísticas na fronteira do Nepal com o Tibete, provocando avalanches de lama e detritos. A inundação deixou milhares de pessoas desaparecidas, entre estrangeiros e naturais dos dois países localizados numa área montanhosa da Ásia.
Dezenas de povoados foram praticamente riscados do mapa. A tragédia obrigou muita gente a pesquisar para conhecer um pouco mais sobre a história, cultura e tradições dos dois países.
O Tibete está localizado num planalto da parte norte da grande cadeia montanhosa do Himalaia, apelidado de “o teto do mundo” por causa de seus picos elevados.
O Monte Everest, situado a meio caminho entre o Tibete e o Nepal, é o ponto mais alto do mundo. Sua capital, Lhasa, é o local da antiga residência de inverno do Dalai Lama, o Palácio Potala, e do Templo Jokhang, o centro espiritual do Tibete, onde peregrinos vão para venerar a estátua dourada do jovem Buda.
O Nepal também se localiza no sul da Ásia, espremido entre a China e a Índia, os dois países mais populosos do mundo. Faz divisa também com a região autônoma do Tibete e, como este, também está localizado na Cordilheira do Himalaia.
O repentino colapso de uma grande geleira com mais de 1 km², com as fortes enxurradas de água, lama e detritos que provocou, está sendo apontado pelos estudiosos como o motivo da recente catástrofe acontecida entre os dois países. O impacto foi considerado semelhante ao de um terremoto de 5,2 graus de magnitude.
História sumária do Tibete
Durante a maior parte de sua história, o Tibete esteve dividido em diversos territórios autônomos, como um estado vassalo da China. No ano de 127 a.C., uma dinastia militar passou a controlar a região e seu domínio durou aproximadamente oito séculos.
No ano 617 d.C., um novo rei iniciou um processo de transformação da civilização feudo-militar tibetana em um reino pacífico, deixando um imenso legado com a criação do alfabeto tibetano e estabelecimento do sistema legal, favorecendo o livre exercício religioso do budismo com a construção de templos.
Seus sucessores continuaram a transformação cultural e religiosa, criando várias instituições. Surgiu então uma nova religião, o lamaísmo, baseada no budismo, transformando o país num próspero reinado dentro do Império Chinês.
Por volta de 1240, já no período medieval europeu, os mongóis conquistaram a China e o Tibete, que passou a fazer parte do grande Império Mongol. Expulsos da China, os mongóis continuaram controlando o Tibete até serem expulsos no século XVIII, e toda a região voltou ao controle da China.
Com a queda da monarquia e Proclamação da República da China em 1912, cresceu o conflito do Tibete contra a dominação chinesa e luta pela autonomia, mas, apesar das muitas guerras civis que marcaram a moderna história da China, antes da implantação do Regime Comunista, qualquer tentativa de independência era duramente reprimida.
Nas últimas décadas, a causa da independência do Tibete ganhou força perante a opinião pública ocidental e o Dalai Lama passou a ser recebido por chefes de Estado, apesar dos protestos entre os chineses.
Desde o início dos anos de 1990, cresceram as conversações entre representantes do Dalai Lama, laureado com o Prêmio Nobel da Paz, e os chineses, mas até agora as conversações mostram-se infrutíferas.
Na atualidade, o Tibete continua lutando pela sua autonomia religiosa, pela garantia de preservação de sua cultura e de suas tradições, apesar da contrariedade chinesa. O Tibete é considerado pela China como uma Região Autônoma, mas ainda existe muito debate acerca do que exatamente constitui o território do Tibete e de qual seria sua verdadeira área e população.
Os líderes tibetanos querem autonomia e liberdade religiosa, mas o governo chinês quer também controlar as práticas religiosas, inclusive escolhendo o próximo Dalai Lama, coisas que os tibetanos não aceitam.
Conhecendo melhor o Nepal
O Nepal é um país asiático no Himalaia, espremido entre a China e a Índia, cuja história é marcada por suas origens milenares, pela formação de reinos independentes, por um forte isolamento e por sua recente transição forçada para a democracia.
O vale de Catmandu já era habitado há milhares de anos, primeiro pelo povo Kirat e depois pelos Newares. O país se tornou mais conhecido por ser o lar de Siddhartha Gautama, mais conhecido como Buda, que nasceu em Lumbini, no sul do Nepal, por volta do século VI a.C.
Inicialmente, a dinastia Licchavi foi quem estabeleceu o primeiro governo centralizado e forte na região a partir do século IV, seguido pela era dos reis Malla, que impulsionaram grandemente a cultura hindu e a arte local. Em 1768, o rei Prithvi Narayan Shah unificou diversos pequenos principados de Gorkha, dando início à formação do moderno Estado do Nepal.
Em meados do século XIX, o expansionismo nepalês colidiu com o Império Chinês ao norte e com a Companhia Britânica das Índias Orientais ao sul, dando início a um conflito entre os envolvidos.
Após a Guerra Anglo-nepalesa, o país perdeu alguns territórios, mas garantiu sua independência, tornando-se um aliado britânico e um dos poucos países da Ásia que nunca foram colonizados. Entre 1846 e 1951, a família Rana assumiu o controle político real, relegando os reis Shah a uma função meramente simbólica em um regime fechado, até que, em 1951, uma revolta popular derrubou os descendentes da família Rana, restaurando a autoridade da monarquia e iniciando tentativas de abertura democrática.
Porém, entre 1996 e 2006, ocorreu a Guerra Civil, a partir do momento em que uma insurreição guerrilheira de caráter maoísta, por causa de Mao Tse-Tung, o grande líder comunista chinês, liderada pelo Partido Comunista, desafiou a monarquia, causando milhares de mortes. Após grandes protestos populares conhecidos como o Movimento Democrático de 2006, o parlamento aboliu a monarquia que já tinha mais de 240 anos.
O Nepal se transformou então em uma República Federal Democrática, governada por coalizões políticas que frequentemente incluem partidos de esquerda e ex-guerrilheiros. Essa coalizão de partidos é que escolhe o Primeiro-Ministro. O atual chefe de governo é o primeiro-ministro Balendra Shah, conhecido como Balen Shah, que assumiu o cargo em março de 2026.