Missionário redentorista do Paraguai relata a experiência de percorrer Ciorani, Scala, Muro Lucano e Nápoles durante o Curso de Espiritualidade Redentorista.
Visitar os locais históricos onde nossa Congregação nasceu e cresceu foi uma alegria profunda e uma imensa graça para nós. Não se tratava simplesmente de visitar cidades e igrejas, mas de retornar às fontes de nossa espiritualidade, redescobrir o sonho missionário de Santo Afonso Maria de Ligório e permitir que Deus reacendesse em nossos corações o desejo de proclamar a Abundante Redenção.
Iniciamos esta peregrinação na Casa Geral, aos pés de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em 8 de setembro. Uma de nossas primeiras experiências marcantes aconteceu em Ciorani, a Casa-Mãe da Congregação desde 1736. Cada canto parecia nos falar de silêncio, oração, sacrifício, conversão e dedicação.
Às fontes da espiritualidade alfonsiana
Chegamos então a Scala, berço da Congregação do Santíssimo Redentor. Lá, visitamos os lugares ligados às nossas origens e chegamos à gruta onde Santo Afonso se retirou para encontrar-se face a face com Deus e onde, segundo a tradição, recebeu uma manifestação da Virgem Maria.
Visitamos também o Convento das Monjas Redentoristas, filhas espirituais da Beata Maria Celeste Crostarosa. Celebramos a Eucaristia na capela dedicada ao Milagre Eucarístico e recordamos o encontro entre Afonso e Celeste, bem como o processo de oração e discernimento que acompanhou o início da nossa família missionária.
Santo Afonso havia vindo a Scala em busca de repouso e cura; contudo, Deus tinha outros planos. O que parecia um simples período de descanso transformou-se em uma vocação. Deus lhe mostrou a quem ele deveria dedicar sua vida.
De Ravello, contemplamos Scala e compreendemos algo essencial: a nossa Scala ainda existe. Todo redentorista é chamado a reconhecer a “Scala” que o Senhor coloca diante dos seus olhos.
Seguindo os passos de São Geraldo
Nossa jornada prosseguiu até Muro Lucano, o local de nascimento de São Geraldo Majella. Visitamos a catedral, a capela onde ele foi batizado e o lugar onde morou e trabalhou como alfaiate.
Descemos também um corredor estreito que levava a uma das casas onde Geraldo morava com os pais. Aquele lugar nos fez lembrar de sua firme determinação em seguir sua vocação. Quando sua mãe o trancou para impedi-lo de acompanhar os missionários redentoristas, Geraldo amarrou os lençóis da cama, saiu pela janela e escreveu uma frase que continua a nos desafiar: “Estou partindo para me tornar um santo”.
A espiritualidade cantada por Santo Afonso
Outro momento inesquecível foi o concerto de música alfonsiana interpretado pelo Coro Polifônico Alfonsiano, dirigido pelo Pe. Paolo Saturno, C.Ss.R. Ao ouvirmos “Tu scendi dalle stelle”, contemplamos a humilde grandeza de um Deus que desce das estrelas e se faz pequeno por amor. Com “O bella mia speranza”, vivenciamos Maria como Mãe, refúgio, consolo e esperança.
Através da música, pudemos vislumbrar a intimidade espiritual de Afonso e compreender que a espiritualidade alfonsiana é mais do que uma doutrina: ela é cantada e transformada em uma vida dedicada ao Redentor e aos mais abandonados.
“Mundo, eu te conheço”
Finalmente chegamos a Nápoles. Na paróquia de Santa Maria dei Vergini, contemplamos a certidão de batismo de Afonso. Na Catedral de San Gennaro, recordamos que foi ali que ele recebeu as ordens menores e foi ordenado sacerdote.
Percorremos também a histórica Via dei Tribunali, recordando o julgamento cuja derrota levou Afonso a exclamar: “Mundo, eu te conheço. Adeus, tribunais!”. Aquele foi o início da sua dedicação sacerdotal e missionária.
Retornamos desta peregrinação fortalecidos e renovados em nossa vocação redentorista. Retornamos com o desejo de contemplar a realidade através dos olhos de Afonso e de nos perguntarmos, a cada dia: quem são os pobres e abandonados que Deus coloca em nosso caminho hoje?
Pe. Antonio Javier Morel, C.Ss.R. –
Paraguai
Fonte: Scala News