Conheça lugares dedicados à Nossa Senhora Aparecida espalhados pelo território nacional, símbolos de uma devoção que une o país ao redor da Virgem Maria
Por Gustavo Marcelino, Matheus Azevedo e Victor Hugo Barros
Iniciada na família dos três pescadores, a devoção a Nossa Senhora Aparecida está presente, hoje, em todo o Brasil. O sinal concreto do amor dos brasileiros à sua Padroeira são as incontáveis Igrejas paroquiais e capelas a ela dedicadas nas diversas regiões do país. Muitas delas, desconhecidas do grande público.
Manto estendido sobre o Corcovado
O Santuário Cristo Redentor, no Rio de Janeiro (RJ), é um dos principais cartões-postais do Brasil. Sua robusta estrutura, de 38 metros de altura, abriga uma singela Capela dedicada a Nossa Senhora Aparecida.
“É um lugar de oração, lugar de encontro com Deus. Temos o sacrário de forma permanente. Celebrações de batizados, casamentos, adorações, Angelus”, destaca o reitor do Santuário Cristo Redentor, padre Omar Raposo.
Inaugurada em 12 de outubro de 1931, a estátua teve sua construção incentivada pelo então cardeal-arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Sebastião Leme, um dos responsáveis pela proclamação da Virgem Aparecida como Padroeira do Brasil, em 31 de maio do mesmo ano. A imagem de Nossa Senhora, até hoje presente no altar da Capela presente na base do monumento, recorda essa ligação.
“Essa imagem fazia uma itinerância entre os turistas (…) e as pessoas ficavam admiradas: ‘Que Virgem Negra é essa? Quem é essa santa?’. E eu dizia: ‘É a Padroeira do Brasil’. Pessoas de diversas partes do mundo”, completa o padre.
A acolhida de quem passa pelo Cristo é missão também da irmã Ana Maria da Silva. Membro da Família dos Devotos, a religiosa trabalhou na implantação da Casa do Pequeno, em Aparecida (SP), obra social mantida pelo Santuário Nacional.
“Tem três anos que trabalho aqui (no Cristo) e a minha missão principal é acolher peregrinações, as pessoas no dia a dia e também dar um apoio na liturgia”, narra.
O milagre que deu origem a um Santuário
Foi uma peregrinação que mudou a história de uma menina cega e sua mãe, saídas de Jaboticabal (SP), em 1874. Durante três meses caminharam, para então avistarem juntas a Basílica Histórica, quando a criança passou a enxergar.
Assim que retornaram para a cidade, “foi feita uma capelinha de taipa de pilão e madeira, coberta de sapé”, conta o memorialista e professor, Antônio Pascoal André. O ex-voto em formato de templo originou uma capela maior no começo do século XX.
Contudo, o local ficou pequeno para tantos visitantes. Em 1944, começou a ser construída uma nova Igreja, elevada a Santuário, em 2017. O local é lembrança viva do milagre da Menina Cega e da fé em Nossa Senhora.
“Essa devoção, ela se propagou em toda a região a ponto de, em Jaboticabal, ter um Santuário (…) dedicado a Nossa Senhora, de onde partem muitas romarias, peregrinações (…) para se encaminharem pelo Caminho da Fé, passando por toda a região (…) até chegarem a Aparecida”, ressalta André.
“Depois de terem ido ao Santuário, lá em Aparecida (…) praticamente se tornaram as primeiras sementes lançadas nesta terra e que frutificaram de uma forma muito abundante na devoção em relação à Mãe de Deus”, conta o reitor do Santuário Diocesano Nossa Senhora Aparecida de Jaboticabal, Pe. Alexandre Augusto Malaguti.
Comunidades herdeiras de Nossa Senhora Aparecida
Distante 548 km da Terra da Padroeira, a Comunidade Nossa Senhora Aparecida, no distrito de Reianópolis, em Sengés (PR), surgiu em 1950, com a chegada das primeiras famílias ao bairro. Em pequenos grupos, os moradores edificaram, em 1960, o templo. Com pouco mais de 900 habitantes, Reianópolis mantém viva a devoção à Padroeira do Brasil.
“Temos uma grande festa que engloba o sentido religioso, com a novena preparatória. No dia 12 de outubro, uma caminhada que sai da cidade de Sengés em direção a Reianópolis, cerca de 18 quilômetros de estrada de chão. A Santa Missa, celebrando a solenidade, a coroação de Nossa Senhora”, destaca o pároco da Paróquia São Pedro, em Sengés, e responsável pela Co-munidade Nossa Senhora Aparecida, Padre Giovanni Silva.
Nessa mesma comunidade, Maria, Mãe das vocações, chamou um de seus filhos: o arcebispo de Aparecida, Dom Mário Antonio. O chamado ao sacerdócio nasceu na Igreja dedicada à Padroeira. Nela, ele foi batizado, fez a Primeira Eucaristia e foi ordenado sacerdote, em 1991.
Com suas particularidades, cada local expressa a devoção do povo brasileiro. Em Aparecida, essas manifestações de fé se reúnem, simbolizadas nos mais de 10 milhões de romeiros que, anualmente, visitam Nossa Senhora e seu Santuário, símbolo de um Brasil de fé, que se confia à sua Padroeira.