Há seis anos, uma família de Guarulhos (SP) transforma a caminhada dos romeiros em uma experiência de fé, acolhimento e solidariedade.
Há seis anos, uma família de Guarulhos, na Grande São Paulo, transforma a peregrinação dos romeiros em uma experiência de acolhimento e fraternidade. Durante a Novena da Padroeira, a família Silva mantém um ponto de apoio às margens da Rodovia Presidente Dutra.
A iniciativa começou durante as celebrações pelos 300 anos do encontro da Imagem de Nossa Senhora Aparecida. Na época, Adelaide, tia de Angela Maria da Silva, decidiu distribuir água aos peregrinos que seguiam pela rodovia em direção ao Santuário Nacional.
O gesto despertou algo maior na família. “Quando ela falou que ia, a gente resolveu abraçar a causa com ela”, conta Angela.
A família foi para a rodovia e notou uma necessidade entre os peregrinos. Muitos precisavam de um lugar para descansar, comer e receber cuidados durante o caminho.
“Ali nós sentimos a necessidade de montar algo, porque apareceu muito romeiro e aqui em Guarulhos tem pouco ponto de apoio”, recorda Angela.
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Uma tenda que nasceu da fé
Depois daquela experiência, Angela começou a procurar um espaço para criar um ponto de apoio. O local escolhido foi o Posto Farol, que acolheu a proposta da família.
“Na realidade, Deus encaminhou e Nossa Senhora deu aquela força”, relata.
A primeira estrutura era pequena. Ainda assim, foi suficiente para reunir voluntários e romeiros em torno de um mesmo propósito.
“Começamos com uma tendinha bem pequenininha, que um dia choveu e os romeiros seguraram ela com a gente, eles ficaram aqui até o vento passar, mas ela não voou”, lembra Angela.
Com o passar dos anos, o ponto de apoio cresceu. Uma empresária conheceu o trabalho e decidiu doar uma nova tenda.
“Eu acredito que foi um anjo que Deus colocou no meu caminho”, afirma Angela.
Doações transformam o ponto de apoio
Desde o início, o ponto de apoio conta com a solidariedade dos amigos da família. Os alimentos oferecidos aos peregrinos chegam por meio de doações.
“Hoje eu acho assim: meus amigos acreditaram em mim e tudo o que eu tenho dentro da tenda de alimento é doação deles”, explica Angela.
O cardápio tem um sabor especial. Café, bolos e outros alimentos são preparados ou levados pelas tias de Angela, mas o acolhimento vai além da comida e se manifesta, acima de tudo, na fraternidade.
O ponto também oferece suporte na área da saúde. A Prefeitura da cidade disponibilizou uma equipe médica e profissionais de enfermagem para atender os romeiros.
A estrutura permanece ativa durante alguns dias da novena. Neste ano, o atendimento começou no dia 4 e segue até o dia 10 de outubro.
Um lugar para descansar e se sentir acolhido
Para quem percorre quilômetros a pé, encontrar um ponto de apoio pode fazer diferença. É o caso de Bruno Lourenço Silva, também de Guarulhos, que segue em caminhada com a Romaria Mãe Divina, em um grupo de aproximadamente 20 pessoas.
Peregrino de primeira viagem, ele havia percorrido cerca de 20 quilômetros quando chegou à tenda da família Silva.
O sobrenome semelhante ao da família responsável pelo espaço é mais do que uma coincidência, e sim uma providência, mas o encontro tornou a experiência ainda mais especial.
“Desde a hora em que a gente chegou aqui, até agora, eles deram a maior atenção, tratando a gente super bem, com a comida e tudo, foi surreal mesmo”, afirma Bruno.
Para ele, a acolhida surpreendeu. A experiência também mostrou que a peregrinação pode ser marcada por gestos simples de solidariedade.
“Eu nem esperava que tivesse algo assim parecido pelo mundo em que a gente vive hoje, mas surreal, eu estou maravilhado ainda com tudo que está acontecendo”, relata.
Bruno também destaca a importância do ponto de apoio para quem percorre longas distâncias.
“Este foi o primeiro apoio nas tendas que a gente teve, da família Silva. É muito importante para todo mundo que vem, que vem de mais longe ainda do que a gente veio”, afirma.
Acolhimento que fica na memória
Além de oferecer alimentos e atendimento aos romeiros, Angela mantém um registro de quem passa pelo local.
Cada peregrino pode deixar seu nome em um caderno. Ao final da ação, ele será levado ao Santuário Nacional de Aparecida.
O gesto representa uma memória da caminhada. São nomes de pessoas que passaram pela tenda em busca de descanso, alimento, cuidado e companhia.
Que a Mãe Aparecida acompanhe a todos!
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