Sinodalidade na Família

Ao longo dos séculos, a Santa Mãe Igreja, por meio de seu Magistério, convida os leigos a caminharem de forma conjunta. Entretanto, mesmo dentro da própria família, pode ser difícil produzir um espaço de comunhão e escuta. Na Exortação Apostólica Familiaris Consortio, de 1981, o Papa João Paulo II destaca a participação familiar na comunidade cristã como “Igreja Doméstica” (nº 21), sinal de sinodalidade e unidade.

A sinodalidade começa em casa, na escuta, no acolhimento e na construção da comunhão

Ao longo dos séculos, a Santa Mãe Igreja, por meio de seu Magistério, convida os leigos a caminharem de forma conjunta. Entretanto, mesmo dentro da própria família, pode ser difícil produzir um espaço de comunhão e escuta. Na Exortação Apostólica Familiaris Consortio, de 1981, o Papa João Paulo II destaca a participação familiar na comunidade cristã como “Igreja Doméstica” (nº 21), sinal de sinodalidade e unidade.

“O tema da Igreja Doméstica é bem analisado e refletido pela Igreja. Quando pensamos na realidade da família hoje, nos damos conta do quanto é importante a palavra da Igreja. Refletindo sobre o diálogo e a escuta, a sinodalidade vem justamente abrir espaços enriquecedores de compreensão e acolhida”, pontua o bispo de Barra do Piraí-Volta Redonda (RJ), Dom Luiz Henrique.

Assessoria de Comunicação - Diocese de Barra do Piraí - Volta Redonda
Dom Luiz Henrique, Bispo diocesano de Barra do Piraí-Volta Redonda (RJ) (Assessoria de Comunicação – Diocese de Barra do Piraí – Volta Redonda)

São João Paulo II destaca que “o futuro da humanidade passa pela família!” (Conclusão da Familiaris Consortio). “Numa perspectiva que atinge as próprias raízes da realidade, deve dizer-se que a essência e os deveres da família são, em última análise, definidos pelo amor”, Papa João Paulo II, nº 17.

Sem a comunhão e a proximidade, impactos poderão surgir em núcleos que enfrentam dificuldades de convivência, distanciamento afetivo e falta de comunicação. Dom Luiz Henrique relaciona essa temática à dinâmica da sociedade.

“Importante não temer diálogo e a compreensão. A capacidade de ouvir sem atitudes impositivas, mas pelo contrário, colocar-se no lugar do outro. Isso se chama empatia, um comportamento extremamente importante em tempos de muita rigidez e polarização tanto religiosa como política, o que pode fragilizar e muito a convivência. É preciso romper barreiras do fechamento e radicalizações que nos tornam incapazes de compreender e acolher”, ressalta o prelado.

As famílias são convidadas a testemunhar a evangelização e o cuidado no cotidiano, seja na comunidade paroquial, na educação dos filhos ou na sociedade como um todo. “A partir da família construímos pontes de solidariedade e entendimento. Se no ambiente familiar não se constrói esse caminho de diálogo, estaremos contribuindo para uma geração da indiferença. Esse perigo já foi grandemente alertado pelos papas recentes, ou seja, a cultura da indiferença. Devemos superar esse círculo vicioso se quisermos construir uma sociedade de paz, justiça e fraternidade”, relembra o bispo.

Ao analisar o contexto atual, marcado pelo individualismo, pelo excesso de tecnologia, pelo enfraquecimento dos vínculos familiares, e por tantos outros desafios, Dom Luiz Henrique, à luz da sinodalidade e da Sagrada Família, indica pontos a serem observados como sinal de unidade.

“Minha sugestão é que aconteça um despertar no caminho do diálogo e da escuta, enfrentando as “feridas” causadas pela indiferença e fechamento do coração. Isso significa mais atenção a verdadeiros encontros, oferecendo tempo precioso para escuta e comunicação. Mais olho no olho e menos celular”, orienta.

Congresso da Pastoral da Família do Regional Leste 1

Como forma de integrar as ações familiares, no mês de setembro, entre os dias 11, 12 e 13, o Regional Leste 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que compreende o estado do Rio de Janeiro, promoverá o XI Congresso da Pastoral Familiar, na Diocese de Barra do Piraí-Volta Redonda (RJ).

O tema do Congresso deste ano será “A arte de comunicar: transformando as relações familiares” e o lema, “E acima de tudo, vistam-se de amor, que é o laço da perfeição” (Cl 3,14).

De acordo com a Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), “os Congressos da Pastoral Familiar têm como objetivo principal a formação, espiritualidade e integração dos agentes pastorais. Eles servem para alinhar o trabalho de evangelização, trocar experiências e capacitar líderes para fortalecer as famílias, promovendo-as como ‘Igrejas domésticas’ e santuários da vida na sociedade”.

Todo o Congresso é organizado por meio de equipes de casais da Pastoral Familiar integradas para a realização das atividades. Dom Luiz Henrique avalia o papel dos fiéis no engajamento das atividades e na promoção da reconstrução das famílias. “A partir de um verdadeiro engajamento na mensagem do Evangelho, só podemos ter esse caminho de restauração das famílias e de convivência saudável. A família tem papel fundamental nessa reconstrução social”, finaliza o bispo.

Pastoral Familiar - Regional Leste 1 CNBB
Pastoral Familiar – Regional Leste 1 CNBB
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