Igreja Católica possui mais da metade dos bens históricos brasileiros tombados e luta para preservar espaços em diversas localidades
O Brasil possui uma rica diversidade de bens tombados. De acordo com dados do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o país conta com mais de 1.200 bens materiais tombados na esfera federal. Desses, mais de 50% estão vinculados à Igreja Católica, segundo dados da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). O cuidado dessa categoria de bens é um desafio para a Igreja, que se utiliza desses itens para evangelizar pela beleza.
“Preservar é dar aos mais pobres a história que foi constituída. Muitos desses templos foram erguidos por mãos indígenas e afrodescendentes que nos deram a beleza que contemplamos hoje”, afirma o presidente da Comissão para a Cultura e Educação da CNBB, Dom Gregório Paixão.
Em Aparecida (SP), a história fortalece e testemunha a devoção à Padroeira do Brasil. Um dos exemplos é o Museu Nossa Senhora Aparecida, que completa 70 anos no próximo mês de setembro. O local abriga peças históricas, como as correntes que caíram do escravo Zacarias diante da Imagem da Padroeira. Localizado na Torre Brasília, o espaço também guarda as Rosas de Ouro, oferecidas pelos Papas Paulo VI, Bento XVI e Francisco.
Outro espaço que converge fé e cultura é a Basílica Histórica. Edificado em 1888, o prédio foi o primeiro do Brasil a receber o título basilical. Com o auxílio da Família dos Devotos, o templo foi totalmente restaurado, sendo entregue em fevereiro de 2015, após 11 anos de trabalho.
Agora, outro espaço ligado à história da Padroeira está recebendo cuidados. A Capela São Geraldo, localizada na entrada do Porto Itaguaçu, marca as proximidades do local onde aconteceu o Milagre das Velas, responsável por popularizar a devoção a Nossa Senhora Aparecida.
Inaugurado oficialmente em 1926, o templo passa por cuidados no ano de seu centenário.
“A gente está tendo grandes desafios, encontrando algumas pedras, tamanhos e proporções inesperados dentro da igreja, no entorno, e a ideia é que a gente consiga buscar o mais próximo do que foi desenvolvido desde o início da concepção”, conta o engenheiro responsável pela obra, Atagir Maciel.
Além de melhorias no espaço, a Capela também receberá pinturas que contam a história de Nossa Senhora Aparecida. Mudanças que não apenas deixarão o templo mais bonito, mas que vão evangelizar mesmo em silêncio.
“Conservar esse patrimônio é dar a toda a população brasileira a possibilidade de continuar contemplando a beleza de uma história, abrindo as portas para o culto em lugares maravilhosos que foram construídos por nossas mãos com tanta inteligência”, finaliza Dom Gregório.