A imigração japonesa no Brasil

A imigração japonesa ao Brasil começou em 1908 com a chegada do navio Kasato-Maru. Enfrentaram desafios, mas enriqueceram a cultura brasileira. Saiba mais.
Imagem Mulher segurando bandeiro do Japao do artigo A imigração japonesa no Brasil

Os brasileiros já conheciam vários grupos de imigrantes que haviam começado a chegar, vindos da Europa, a partir da segunda metade do século XIX. Entre os imigrantes, a maioria era de italianos que se estabeleceram especialmente nos estados do Sudeste e do Sul do Brasil, desmatando terras, dedicando-se à agricultura e à pecuária.

A maioria dos imigrantes fugia das precárias condições de vida na Europa, contribuindo para resolver o grave problema social em seus países de origem e, ao mesmo tempo, substituía a mão de obra escrava nas lavouras do café.

Em 1890, começaram a chegar as primeiras levas de imigrantes húngaros e árabes. Nesse período, a imigração italiana se intensificou, bem como a imigração portuguesa e espanhola. Calcula-se que, entre o começo do século XIX e a metade do século XX, cerca de 5 milhões de imigrantes europeus e asiáticos tenham entrado no Brasil.

Como se deu a imigração japonesa ao Brasil

No dia 18 de junho de 1908, um navio chamado Kasato Maru aportou em Santos (SP) com 781 japoneses contratados para trabalhar em fazendas de café no país. Em 2026, completam-se 118 anos desse marco histórico. O fato marcou o início da imigração nipônica ao Brasil, cujo fluxo cessou quase que totalmente em 1973, com a vinda do último navio de imigração, o Nippon Maru. As primeiras famílias de japoneses eram formadas, sobretudo, por pessoas oriundas de áreas pobres que desenvolviam atividades agrícolas.

O processo imigratório não ocorreu por acaso, pois, como o Brasil necessitava de mão de obra para o cultivo do café e o Japão enfrentava problemas referentes à falta de emprego, foi firmado um acordo entre os dois países e o governo brasileiro facilitou a entrada desses estrangeiros.

No período anterior à imigração japonesa ao Brasil, o Japão vivia transformações profundas desde a Era Meiji, com mudanças econômicas, crescimento populacional e mecanização do campo, o que desencadeou desemprego e miséria em muitas regiões rurais.

Os imigrantes chegados ao Brasil precisaram superar muitas dificuldades, como língua, cultura, religião, clima e preconceito, mas os trabalhadores não podiam regressar ao seu país de origem, pois tinham estabelecido contratos de trabalho que deveriam ser cumpridos, e os acordos eram quase sempre desfavoráveis aos japoneses.

Calcula-se que cerca de 243,4 mil “filhos da terra do Sol nascente” tenham desembarcado no Brasil, concentrando-se principalmente no Paraná, no estado de São Paulo e em Mato Grosso do Sul.

Em 1938, ano antecedente à Segunda Guerra Mundial, as dificuldades aumentaram e o governo federal começou a limitar as atividades culturais e educacionais dos imigrantes, decretando o fechamento das escolas estrangeiras, principalmente japonesas, alemãs e italianas.

Com a guerra, a situação dos imigrantes se complicou ainda mais e a população não podia ouvir a transmissão de rádio do Japão ou falar seu idioma. Aconteceram casos de japoneses que foram detidos pela polícia por suspeita de espionagem, e a aglomeração de japoneses também foi proibida. Com o fim da guerra, a situação foi gradualmente melhorando.

Atualmente, o Brasil abriga a maior população de origem japonesa fora do Japão, com cerca de 2,7 milhões de japoneses e descendentes vivendo aqui. As gerações japonesas presentes no Brasil são assim definidas:

• Isseis (japoneses nascidos no Japão).

• Nisseis (filhos de japoneses).

• Sanseis (netos de japoneses).

• Yonseis (bisnetos de japoneses).

Os imigrantes japoneses vieram para o Brasil com muita vontade de trabalhar, trazendo também arte, costumes, língua, crenças e conhecimentos que contribuíram para o enriquecimento do país, que possui grande variedade de culturas.

Dia da Imigração Japonesa. A data foi sancionada em 2005, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para comemorar a chegada dos primeiros imigrantes japoneses no Brasil.

Movimento contrário

De acordo com dados oficiais das autoridades japonesas, os brasileiros documentados morando no Japão chegam a 211.229 pessoas, constituindo atualmente a sétima maior comunidade de estrangeiros naquele país.

A migração de brasileiros em direção ao Japão ocorreu, sobretudo, a partir de 1988, momento em que houve um grande crescimento no contingente, que praticamente dobrou de um ano para outro. E o crescimento não parou, mesmo com a recessão implantada no país.

No ano de 2003, os dekasseguis, como são chamados os brasileiros que vivem no Japão, já totalizavam cerca de 274 mil. O governo japonês decidiu fazer a revisão da lei de controle de imigração em junho de 1990 e, animados com a possibilidade de trabalhar e morar por um período relativamente longo no país, milhares de descendentes de japoneses e seus cônjuges até a terceira geração desembarcaram buscando trabalho, especialmente como operários em fábricas. O trabalho era pesado, mas financeiramente recompensador.

Por quase duas décadas, brasileiros se mantiveram como a terceira maior comunidade de estrangeiros na “terra do sol nascente”, atrás dos chineses e dos sul-coreanos, mas nos últimos anos a situação mudou e os brasileiros foram ultrapassados por outras comunidades, como vietnamitas, filipinos, nepaleses e indonésios.

Pastoral nipo-brasileira

A Pastoral Nipo-brasileira (PANIB) é uma associação cívico-religiosa, que integra o Setor Pastoral da Mobilidade Humana da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), não tem fins econômicos e congrega todos os missionários católicos (clérigos, religiosos e leigos) que se dedicam, direta ou indiretamente, à evangelização e catequização dos japoneses e seus descendentes ou outros, radicados no Brasil.

Seu objetivo consiste na integração da comunidade nipo-brasileira na Igreja Particular e Local, bem como na vida nacional, e, para isso, busca estimular os missionários, integrando-os no Plano Pastoral das respectivas Dioceses e Paróquias. Busca também fornecer oportunidades, aprofundando o conhecimento sociopolítico, econômico, cultural e religioso do Brasil, crescendo na vivência espiritual, por meio de retiros, encontros, reuniões, romarias e outros eventos, animando também a convivência fraterna.

Todos os anos a PANIB realiza a sua romaria ao Santuário Nacional.

WhatsApp
Telegram
Facebook
X
LinkedIn

Leia Também