Qual a diferença entre Pérsia e Irã?

Por muito tempo, as regiões da antiga Pérsia e agora Irã se tornaram grandes obras de engenharia, das quais ainda hoje são encontradas muitas ruínas. Entenda!
Persépolis na Pérsia

Entenda como funciona a relação de Pérsia e Irã, suas origens históricas e por que ambos ainda são usados para falar do mesmo país. Leia abaixo!

O advento da crise sofrida pelo Irã em fins de 2025, com as grandes manifestações de rua e depois, em 2026, com o conflito militar enfrentado a partir do ataque dos Estados Unidos e Israel contra o país, provocando mais uma crise de abastecimento de petróleo com o fechamento do Estreito de Ormuz, fez com que as pessoas voltassem a olhar para a região. Nesse contexto, uma pergunta surgiu novamente: Qual a diferença entre Pérsia e Irã e até onde as duas realidades se confundem?

Mesmo no longo período em que o nome Pérsia foi utilizado para designar as civilizações ou impérios que existiram na região, dentro do próprio país, a população também utilizava o nome Irã, palavra que deriva de um termo antigo que significa aproximadamente “terra dos arianos”, referência a antigos povos indo-iranianos que migraram e passaram a habitar a região.

Terra fértil favorece o desenvolvimento de grandes civilizações

Durante grande parte da história, a região que hoje conhecemos como Irã era chamada de Pérsia. Esse nome é originário da antiga região de Persis ou Parse, de onde um povo de origem indo-europeia migrou da Ásia Central e da Rússia para a região do sul iraniano por volta de 1000 a.C. com o objetivo de encontrar terra fértil com água suficiente para o desenvolvimento da agricultura e pastoreio de seus rebanhos.

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Ruínas na cidade Persépolis (EMANUEL/ Adobe Stock)

A região abrigou grandes impérios sucessivamente e eles se destacaram por sua administração inovadora, tolerância cultural e grandes obras de engenharia que conectaram o Oriente e o Ocidente, das quais ainda hoje são encontradas muitas ruínas, como na antiga cidade de Persépolis.

Por muito tempo, os persas habitaram a atual região do Irã e compartilharam com os povos medos e elamitas sua cultura e sua língua. Todavia, a partir do século VIII a.C., os medos começaram a cobrar altos impostos dos persas, já que contavam com uma estrutura política mais forte e com um grande contingente militar. Depois de diversas lutas, os persas se sobrepuseram aos demais povos da região. Sua história pode ser então dividida em quatro grandes impérios:

1°– Império Aquemênida (c. 550-330 a.C.): Primeiro grande império persa, fundado por Ciro, o Grande. Ficou famoso pela tolerância com os povos conquistados e por unificar vastos territórios. Dario I expandiu ainda mais os domínios, criando um sistema de províncias (sátrapas), padronizando moedas e construindo a famosa Estrada Real, onde se movimentava um sistema de correios muito organizado.

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Ruínas da antiga cidade de Persépolis no Império Aquemênida (ErenMotion/Adobe Stock)

Os persas foram importantes na história e na formação do povo de Israel. No século VI a.C., o imperador Ciro, o Grande, conquistou a Babilônia, pondo fim ao Cativeiro da Babilônia, permitindo que os judeus exilados retornassem a Jerusalém para reconstruir seu templo. O Império Persa foi o cenário de vários livros das sagradas Escrituras. O Livro de Ester, por exemplo, se passa na corte do Rei Xerxes I (Assuero) em Susa. Os livros de Esdras e Neemias detalham a reconstrução de Jerusalém sob o patrocínio dos reis persas Dario e Artaxerxes.

2°- Império Selêucida (312-63 a.C.): Formado após a conquista da Pérsia por Alexandre Magno, introduziu a cultura e a administração helenística na região, o que trouxe uma grande modernidade para o império.

3° – Império Parto (247 a.C.-224 d.C.): Se estabeleceu a partir do momento em que uma dinastia restaurou o poder iraniano, tornando-se um grande rival militar e comercial do Império Romano, controlando importantes trechos da famosa Rota da Seda.

4° – Império Sassânida (224-651 d.C.): É considerado a “Idade de Ouro” da Pérsia Antiga, caracterizado por um forte renascimento da cultura e da religião Zoroastrista. Este império durou até que se deparou com a expansão islâmica no século VII d.C.

Mesmo depois da queda, o legado persa permaneceu vivo até hoje, influenciando a arquitetura, a língua, a culinária e o pensamento religioso.

Da monarquia à Revolução Islâmica

Ao longo de sua história, o Império Persa viveu dois grandes momentos de colapso: na Antiguidade, quando foi derrotado por Alexandre Magno (330 a.C.), sendo controlado por seus sucessores, e no século VII, devido à expansão islâmica (651 d.C.).

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Mapa da região do Irã (Rokas/Adobe Stock)

Durante o século XIX, o Irã tornou-se alvo da expansão e do imperialismo europeu, sendo forçado a aceitar a criação de zonas de influência divididas entre o Império Britânico (ao sul e leste) e o Império Russo (ao norte). Essa partilha visava controlar rotas comerciais vitais e, posteriormente, a recém-descoberta indústria petrolífera.

Em 1935, o xá Reza Shah Pahlavi comunicou oficialmente aos governos estrangeiros que deveriam, a partir de então, usar o nome Irã nas comunicações diplomáticas. Seu objetivo era aproximar o nome internacional do termo já utilizado internamente pelos próprios habitantes.

Georgios Kollidas/ Adobe Stock
Reza Shah Pahlavi (Georgios Kollidas/ Adobe Stock)

Apesar disso, o termo Pérsia continuou sendo usado nos contextos históricos e culturais, especialmente no do Império Persa, da arte persa ou da literatura persa.

Hoje, ambos os nomes permanecem presentes na história, “Pérsia” representa a antiga civilização, enquanto “Irã” é o nome moderno do país.

A monarquia da dinastia Pahlavi, que era pro-ocidente, terminou com a Revolução Islâmica em 1979. O xá Pahlavi fugiu para o exílio nos Estados Unidos, pavimentando o caminho para o estabelecimento da República Islâmica liderada pelo Aiatolá Khomeini, vindo a seguir a implantação de um país fechado, em que o poder religioso liderado pelo Yatolah é onipresente, apesar do país se apresentar como uma república constitucional.

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