Jornada Bíblica

Jornada Bíblica

Círculo Bíblico: encontros de junho

Durante todo o ano de 2019, nós estudaremos a trajetória de Moisés e como foi o evento da libertação operada por Deus na história de Israel, o Êxodo.

Jornada Bíblica

1º encontro

As duas primeiras pragas: a água transformada em sangue e a invasão das rãs

Introdução

Nesta semana, estudaremos, em dois momentos, as duas primeiras pragas com as quais o Senhor feriu o Egito: a água transformada em sangue (Ex 7,14-25) e a invasão das rãs (Ex 7,26– 8,11).

Oração

Faça uma oração, clamando a presença do Espírito Santo, para que o estudo dessa semana gere frutos de vida cristã. Leia Ex 7,14-25. Depois de uma pausa para meditar sobre a primeira praga, leia Ex 7,26– 8,11. Agora, destaque o que mais te chamou a atenção.

Texto de estudo

Nos relatos das pragas no Egito (cf. Ex 7,14–11,10), é possível constatar um padrão de seis partes em cada narrativa, embora estes elementos nem sempre aparecem em todas as pragas:

1) O Senhor informa Moisés sobre a praga;

2) Moisés avisa ao faraó;

3) A praga ocorre;

4) O faraó pede para Moisés que a praga seja removida;

5) A praga é removida;

6) O coração do faraó é endurecido

A transformação da água em sangue, a primeira praga com a qual o Egito foi atingido (Ex 7,14-25), foi anunciada no texto do chamado de Moisés (cf. Ex 4,9). Assim, o Senhor está cumprindo uma promessa feita anteriormente. Com isso, o autor destaca que o líder do êxodo pode confiar em Deus.

Ao dizer que as águas se converterão em sangue, por três vezes (Ex 7,17.19.20), o autor utiliza uma construção típica na língua hebraica que descreve a alteração completa de uma realidade (cf. Dt 23,5; Jr 31,13; Am 5,8), denotando que ocorreu uma mudança radical de um elemento no outro. As águas não ficaram como sangue; elas se transformaram, verdadeiramente, em sangue! Isso torna a narrativa ainda mais dramática.

O termo, no singular, “rio” aparece por 12 vezes nessa narrativa (Ex 7,17.18[3x].20.21[3x].24 [2x].25); no plural, uma vez (v.19). O rio do qual o texto fala é o Nilo. Sem ele, não há qualquer possibilidade de sobrevivência nessa região. O Egito tem apenas 5% de seu território habitável, ou seja, somente às margens desse importante curso de água. Todo o restante do país é deserto; no oeste, está o Saara; no leste, o Sinai.

Pela tamanha importância do Nilo para o Egito, seus habitantes o tinham como uma divindade. Deus, portanto, feriu um deus Egípcio (Ex 7,17.20.25). Diante dessa informação, faz sentido a ordem de Deus: “Nisto saberás que eu sou o Senhor” (Ex 7,17). Assim, o Deus dos hebreus é soberano (Ex 7,16) e inclusive capaz de dominar o próprio coração do faraó, outra divindade (Ex 7,3.13.14).

Desse modo, os efeitos sobre o Egito foram devastadores. Não havia mais qualquer possibilidade de sobrevivência. Toda a água acabou (Ex 7,20). Os peixes, um dos alimentos mais abundantes dessa região, morreram (Ex 7,18) e passaram a cheirar mal (Ex 7,18). Os egípcios estão com sede e com fome (Ex 7,18.21.24).

A segunda praga com a qual o Senhor feriu o Egito foram as rãs.

É possível que essa praga, como a primeira, tenha sido considerada como um julgamento sobre o politeísmo egípcio, pois uma deusa com cabeça de sapo chamada Heqt era a consorte do deus Khnum, a quem se atribuiu a formação do homem a partir do barro. Ela foi associada com a fertilidade e tinha finalidade de ajudar as mulheres no parto.

Assim, a praga pode ter sido considerada uma retribuição pelo decreto que ordenava às parteiras que matassem os recém-nascidos no nascimento.

De acordo com a Lei no Antigo Testamento, rãs não têm barbatanas e escamas e, portanto, são impuras como alimento (Lv 11,9-12); elas também podem se qualificar como “criaturas fervilhantes”, também impuros (Lv 11,41).

Perguntas para partilhar o aprendizado

  1. Como está organizada cada narrativa das pragas no Egito?
  2. O que o texto quer ensinar quando mostra que a primeira praga já tinha sido anunciada anteriormente?
  3. O que significa a expressão “as águas se converteram em sangue”?
  4. Qual é a importância do rio Nilo para o Egito?
  5. Quais foram os efeitos dessa praga na terra do Egito?
  6. Qual foi a segunda praga?
  7. Qual é o sentido da praga das rãs?
  8. Como as rãs eram vistas pela cultura dos israelitas?
  9. Quais são os ensinamentos mais importantes do encontro de hoje?

Oração final

Faça uma oração final, agradecendo a Deus pelo encontro.

2º encontro

A terceira e a quarta pragas: os mosquitos e as moscas

Leitura: Ex 8,12-15; Ex 8,16-28

Introdução

Nesta semana, estudaremos as duas pragas subsequentes: os mosquitos (Ex 8,12-15) e as moscas (Ex 8,16-28). Elas reservam ao leitor surpresas muitos interessantes sobre como Deus age na história em vista de libertar o seu povo oprimido.

Oração

Faça uma oração, clamando a presença do Espírito Santo, para que o estudo dessa semana gere frutos de vida cristã. Leia Ex 8,12-15. Depois de uma pausa para meditar sobre a terceira praga, leia Ex 8,16-28. Agora, destaque o que mais te chamou a atenção.

Texto de estudo

O termo hebraico que na maioria das bíblias em português foi traduzido por “mosquitos” pode significar também qualquer pequeno inseto, até mesmo piolhos! Essa palavra, no texto original, refere-se a qualquer invertebrado pequeno que voa.

De acordo com a tradição de Israel, na Lei do Antigo Testamento, esses pequenos invertebrados que voam são considerados impuros e, portanto, proibidos como alimento (cf. Lv 11,20; Dt 14,19).

Nem piolhos nem mosquitos vêm do pó da terra; entretanto, os piolhos podem ter sido associados ao solo, pois também rastejam. A intenção do autor, aqui, ao utilizar essa linguagem, consiste em transmitir que esse foi um ato sobrenatural.

Mais uma vez, os magos egípcios procuram imitar a praga, mas, desta vez, não conseguem (Ex 8,14). O verbo traduzido em português para denotar a ação dos falsários, “produzir”, em hebraico é o mesmo utilizado em Gn 1,12.24, no relato da criação do mundo. O que demonstra que apenas o Deus verdadeiro tem poder de dar ordem às coisas naturais para que elas produzam algo!

Diante desse insucesso, os magos disseram que a praga ocorrida foi obra do “dedo de Deus” (Ex 8,15). Essa expressão aparece diversas vezes na Bíblia, tanto no Antigo Testamento (cf. Ex 31,18; Dt 9,10; Sl 8,4), quanto no Novo Testamento (cf. Lc 11,20), mas também nas diversas inscrições mágicas e religiosas egípcias. Desse modo, o autor revela que os magos reconheceram, no ocorrido, uma ação direta de Deus verdadeiro.

O início da narrativa da quarta praga, em Ex 8,16, contém a ordem de Deus a Moisés para que fosse encontrar o faraó às margens do rio Nilo. Com isso, o autor retoma o início do confronto entre o líder israelita e o mandatário egípcio, situando-os novamente no mesmo local da primeira praga (cf. Ex 7,15).

Provavelmente, o escritor queira denotar, com isso, uma intensificação do conflito entre os dois personagens, aumentando o drama da narrativa, já que há também a utilização, dentro da nova ordem, da expressão “levante-te de manhã cedo” (cf. Ex 8,16) que será retomada em Ex 9,13. Há, portanto, aqui, o aumento da tensão.

Durante a quarta praga, a das moscas, o Senhor chama a atenção para a maneira diferente como Sua ação afetará os israelitas e os egípcios, pela primeira vez (cf. Ex 8,17-19). A partir desse relato, Deus fará uma distinção entre os opressores e os oprimidos de modo ainda mais claro (cf. Ex 9,4.26; 10,23).

A palavra hebraica usada aqui, arov, é ambígua (cf. Ex 8,17). Uma vez que significa literalmente “mistura”, muitas vezes, é interpretada como um enxame de insetos, como moscas. No entanto, esse significado é incerto.

Outro detalhe interessante no relato da quarta praga consiste no início de uma nova função que será assumida por Moisés: a de intercessor ou intermediário entre Deus e os seres humanos. Nesse relato, por exemplo, o faraó pede que Moisés interceda por ele (cf. Ex 8,24-25). Com isso, o autor quer ensinar que há poder na oração do justo diante de Deus.

Perguntas para partilhar o aprendizado

  1. A terceira praga foi mesmo de mosquitos?
  2. Como esses insetos são compreendidos na cultura dos israelitas?
  3. O que significa dizer que o pó da terra se transformou em insetos?
  4. Por que o autor faz questão de mostrar que os magos egípcios não tiveram sucesso ao tentar reproduzir a terceira praga?
  5. O que significa a expressão “dedo de Deus”?
  6. Por que, no início da narrativa da quarta praga, Deus ordenou que Moisés levantasse cedo e fosse encontrar o faraó às margens do rio Nilo?
  7. Qual é a quarta praga e como a narrativa é diferente em relação à terceira
  8. Será que a quarta praga foi de moscas realmente?
  9. O que o autor quer ensinar quando narra que Moisés se tornou um intercessor?
  10. Quais são os ensinamentos mais importantes do encontro de hoje?

Oração final

Faça uma oração final, agradecendo a Deus pelo encontro.

3º encontro

A peste dos animais, as úlceras, a chuva de pedras e os gafanhotos

Leitura: Ex 9,1-7; Ex 9,8-12; Ex 9,13-35; Ex 10,1-20

Introdução

Nesta semana, estudaremos mais quatro pragas: a peste dos animais (Ex 9,1-7), as úlceras (Ex 9,8-12), a chuva de pedras (Ex 9,13-35) e os gafanhotos (Ex 10,1-20).

Oração

Faça uma oração, clamando a presença do Espírito Santo, para que o estudo dessa semana gere frutos de vida cristã. Leia Ex 9,1-7; 9,8-12; 9,13-35; 10,1-20. Agora, destaque o que mais te chamou a atenção.

Texto de estudo

A quinta praga afeta diretamente o gado. Essa é a primeira a incluir explicitamente a morte (cf. Ex 8,6) e a segunda em que é feita uma distinção entre os israelitas e os egípcios (cf. Ex 8,22–24).

Na sexta praga, tanto as pessoas quanto o gado sofrem de úlceras ou furúnculos. Os mágicos do Egito, que tiveram algum sucesso em imitar as duas primeiras pragas (cf. Ex 7,22; 8,7), não conseguiram reproduzir a terceira (cf. Ex 8,18). O autor utiliza uma expressão interessante para descrever isso: “os magos não conseguiram ficar de pé diante de Moisés (cf. Ex 9,11). Daqui para frente, eles não serão mais mencionados no livro.

O termo hebraico para “úlcera” aparece em Lv 13,18, Dt 28,27, 2Rs 20,7 e define a doença de Jó (cf. Jó 2,7). Seu equivalente na língua grega ocorre em Ap 16,1-2. Possivelmente, consiste numa enfermidade na pele semelhante à varíola que, aliás, foi encontrada em diversas múmias do Antigo Egito.

A descrição da sétima praga, a chuva de pedras, é bem longa, diferente de todas anteriores (cf. Ex 9,13-35). Além disso, é nela que, pela primeira vez, pessoas são mortas (cf. Ex 9,25).

Um dado importante na narrativa dessa ação de Deus consiste na utilização, no v.14, da expressão “praga”, que só aparece aqui em todos os dez relatos com essa forma. O que salienta a força dessa nova intervenção do Senhor.

Em todas as 25 ocorrências do termo “praga”, na mesma forma que a utilizada em Ex 9,14, presentes no Antigo Testamento, o sentido é o de julgamento de Deus e o de punição por graves crimes cometidos (cf. Ex 9,14; Nm 14,37; 25,8. 9.18; 31,16; 1Sm 4,17; 6,4; 2Sm 17,9; 18,7; 24,21.25; 1Cr 21,17.22; 2Cr 21,14; Sl 106,29.30; Ez 24,16; Zc 14,12.15.18).

Neste momento, da narrativa, o autor, utilizando esta palavra específica, quer mostrar a força do julgamento que Deus contra os opressores.

Na oitava praga, os gafanhotos cobrem a terra e comem o que a chuva de pedras e de fogo anterior havia deixado (v.12). Assim como a praga do granizo, essa inclui uma introdução extensa (v.1-11).

Enxames de gafanhotos representavam mais do que um incômodo para os egípcios, como no caso de algumas outras pragas (por exemplo, rãs, moscas). Pragas de gafanhotos podem resultar na perda de todo o suprimento, de toda comida de uma população, tornando a fome uma possibilidade genuína. Os efeitos do enxame durariam muito depois que Moisés pedisse ao Senhor que voltasse atrás.

O gafanhoto é capaz de causar grande devastação nas plantações e outras plantas (cf. Dt 28,38; Is 33,4; Jl 1,4). Essa praga era tão temida pelos povos do Antigo Oriente Próximo que alguns textos mencionam gafanhotos figurativamente para descrever uma horda inumerável (cf. Jz 6,5; Jr 46,23).

Inclusive no Novo Testamento, em uma visão apocalíptica, o livro do Apocalipse mostra criaturas semelhantes a gafanhotos que pululam sobre a Terra, atormentando aqueles que não são marcados pelo selo de Deus (Ap 9,3–10).

Agora, a penúltima praga é a escuridão, as trevas. Como a terceira e a sexta pragas, a nona começa sem aviso prévio ao faraó.

O escurecimento do céu completa o escurecimento da terra, experimentada na praga anterior (cf. Ex 10,15). No final, o Faraó se recusa a conceder a Moisés a oportunidade de vê-lo novamente.

Embora os egípcios estivessem acostumados ao efeito de escurecimento do céu por causa das tempestades de areia, apagar o sol transmitia uma assustadora mensagem espiritual. Ra, o deus do sol, era a divindade suprema do Egito.

Os egípcios levaram o nascer do sol e sua travessia no céu como prova de triunfo sobre a morte. Eles teriam considerado a obstrução do sol no comando de Moisés como um mau presságio.

Perguntas para partilhar o aprendizado

  1. O que a quinta praga, a da peste dos animais, tem de novidade e de continuidade?
  2. O que a sexta praga traz de novidade a respeito dos magos do faraó?
  3. O que significa o termo “úlcera”?
  4. Qual é a sétima praga e o que há de diferente em relação às anteriores?
  5. Qual é o sentido do termo “praga” utilizado exclusivamente em Ex 9,14?
  6. Qual foi a oitava praga?
  7. O que uma praga de gafanhotos é capaz de causar?
  8. Como o Novo Testamento se refere à praga dos gafanhotos?
  9. Qual é a nona praga e de que modo a narrativa se inicia?
  10. Qual é o significado do escurecimento do sol, na nona praga?
  11. Quais são os ensinamentos mais importantes do encontro de hoje?

Oração final

Faça uma oração final, agradecendo a Deus pelo encontro.

4º encontro

A última praga, a morte dos primogênitos egípcios

Introdução

Nesta semana, estudaremos a última praga, a morte dos primogênitos egípcios (Ex 12,29-32).

Vale lembrar que essa décima ação de Deus para libertar o seu povo é narrada depois de uma longa preparação que trata sobre a páscoa (cf. Ex 11,1-12, 28). Esses textos serão estudados no próximo mês.

Oração

Faça uma oração, clamando a presença do Espírito Santo, para que o estudo dessa semana gere frutos de vida cristã. Leia Ex 12,29-32. Agora, destaque o que mais te chamou a atenção.

Texto de estudo

O foco do capítulo 12 é a décima praga na qual o Senhor provoca a morte de todos os primogênitos do Egito, tanto dos animais quanto do povo (cf. Ex 12,29-32). Este é o evento que finalmente convence o Faraó a libertar os israelitas da escravidão (cf. Ex 12,31-32).

O faraó se levanta no meio da noite para se render em humilhação e, depois de chamar Moisés e Arão, lhes diz para deixem o Egito (cf. Ex 12,30-32).

A descrição do ataque em si é breve (v. 29). É exatamente como Moisés anunciou em Ex 11,5. À meia-noite, na escuridão, que o faraó não pode controlar, o Senhor ataca o opressor.

O termo primogênito ocorre quatro vezes e chama a atenção do ouvinte-leitor. O primeiro uso é genérico e abrangente. Os outros três usos são subconjuntos do primeiro: primogênito do faraó (isto é, o herdeiro aparente), primogênito do gado, primogênito de todas as coisas egípcias.

Isso significa que nada no Egito é protegido da severa incursão da meia-noite de Deus. É claro que a narrativa não conta o que aconteceu na escuridão ou como isso aconteceu. Ninguém viu nada!

Nas culturas do Antigo Oriente Próximo, o primogênito era o herdeiro de todas as propriedades do pai, além de ser o responsável por guardar os valores da família. A Bíblia reflete essa concepção em Ex 13,11-16; Nm 12,13; 2Rs 3,27. Por essa razão a tragédia foi grande!

Em Israel, a dedicação do primogênito era um meio de reconhecer o Senhor como provedor de vida, fertilidade e prosperidade. Ao tomar o primogênito do homem e dos animais, o Deus de Israel está novamente afirmando seus direitos de ser visto como a divindade responsável pela vida no Egito – um papel geralmente atribuído ao faraó.

Ao final do relato da praga, o faraó se rende de forma contundente. Depois de despedir os israelitas, ele chega a pedir a Moisés e Aarão que o abençoem (cf. Ex 12,32). Assim, o autor mostra que ele aderiu ao fato de que o Senhor, Deus de Israel, é quem tem todo o poder e domínio.

Perguntas para partilhar o aprendizado

  1. Qual é o evento que convence o faraó a deixar o povo de Israel sair da escravidão do Egito?
  2. Como é a narrativa da morte dos primogênitos egípcios?
  3. Quantas vezes aparece o termo “primogênito” e por quê?
  4. Por que a décima praga, a morte dos primogênitos foi tão forte para os egípcios?
  5. Que outro significado tem a morte dos primogênitos para a cultura egípcia?
  6. Quais são os ensinamentos mais importantes do encontro de hoje?

Oração final

Faça uma oração final, agradecendo a Deus pelo encontro.

Saiba mais